• Puro Olhar

Minhas muletas

Decido deixar minhas muletas.

Muletas que foram colocadas em mim me impedindo de andar,

Muletas que me seguraram e me impediram de mostrar o quanto sou capaz.

Muletas que me fizeram me sentir fraca, quando na verdade sou corajosa.

Sabe, sei que se elas estão aqui é por que precisei delas, existem marcas em mim que me fizeram segura-las, por muito tempo fui refém das sequelas que deixaram em mim,

por muito tempo andar novamente com minhas próprias pernas me assustava, então entendi que as sequelas não foram para me deixar prostada mas sim fortalecida,

que o que ainda é um grande empecilho para mim na verdade foi a ponte que foi quebrada para que eu andasse sobre as águas.

E sabe, não vou me cobrar mais do que aguento, entendo que está tudo bem não conseguir, mas decido não desistir, as vezes quando largo as muletas de vez me assusto e começo a cair, as vezes preciso pegar pelo menos uma para que então eu me sinta segura, e não faz mal precisar de ajuda, o que não pode é desistir!

E quando vejo o andar sozinha se tornou mais leve, pois me submeti aos processos mais grandiosos, pois dei mais valor a cada passo.

Mais prazeroso, pois aprendi a agradecer pelas muletas por ter me servido não brigar com elas por ter dependido.

Comecei a não só mais andar sozinha mais a ajudar quem somente tropeçava.